Familiares de crianças vítimas de violação sexual protestam à frente do Tribunal contra sentença e pedem justiça

Com cartazes em punho, ostentando frases como “Stop violência contra criança”, “A inocência das crianças não vale 250 mil escudos”, a “Infância passa, mas as marcas ficam”, o grupo também gritou “Não queremos dinheiro, queremos justiça” em protesto aos 250 mil escudos que o agressor deverá ressarcir a cada uma das três crianças.

Segundo Maria (nome fictício para não identificar a vítima) os familiares, incluindo moradores da zona piscatória de Salamansa, não aceitam “de nenhuma maneira” a sentença, porque exames médicos confirmaram as suspeitas de violação.

Por isso, sustentou, defendem que a indemnização é uma “ofensa” às famílias e vão recorrer da sentença proferida pelo 2º juízo crime.

“Nós e toda a população de Salamansa estamos revoltados e não aceitamos. Sentimo-nos ofendidos e estamos aqui a protestar porque queremos justiça. Nós estamos dispostos a ir onde for preciso. Vamos recorrer da sentença porque não queremos conviver com esta situação em Salamansa”, declarou.

A mesma fonte criticou o facto de os familiares terem esperado três anos a conviver com o agressor, na mesma zona, para no final o juiz proferir uma sentença que “não foi justa”.

“Passamos três anos à espera, evitando não cruzar com ele, para que a justiça tomasse uma decisão acertada. Agora, pergunto, valeu a pena todo este tempo a aguardar pela justiça? Salamansa é um lugar pequeno e queremos que as autoridades o afastem dessa zona. Não dá para continuar nesta situação”, afirmou.

Na sentença, proferida no dia 27 de Dezembro, o juiz do 2º juízo crime do Tribunal da Comarca de São Vicente decretou ao agressor, que é parente das três crianças, Arlindo Matias, a 4,8 anos de prisão por abuso sexual, suspensos por quatro anos, além de obrigação de pagar 250 contos a cada uma das três vítimas menores.

O caso remonta ao ano de 2015 em que três crianças, com idades compreendidas entre os 07 e os 10 anos, da zona de Salamansa, denunciaram agressões sexuais perpetradas por Arlindo Matias, que era casado com as suas tias e a quem as meninas tratavam por “vovô”.

A Semana com Inforpress

Categoria:Noticias