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35 anos da democracia expõem leituras divergentes e apelos à renovação do compromisso democrático em Cabo Verde

Publicada em: 14/01/2026 10:18 -

O presidente da UCID, João Santos Luís, classificou a data como um “divisor de águas” da história política contemporânea, sublinhando que a democracia é uma conquista colectiva do povo cabo-verdiano. Defendeu que o processo não começou em 1991, mas foi construído ao longo de décadas, destacando o papel da UCID durante os 15 anos de partido único, quando, segundo afirmou, exerceu oposição em condições difíceis e pressionou interna e externamente para a revogação do artigo 4.º da Constituição, passo decisivo para o multipartidarismo. O líder da UCID criticou ainda a excessiva concentração de poder ao longo dos últimos 35 anos e defendeu um Parlamento mais equilibrado e fiscalizador, com oposição reforçada.

Pelo PAICV, o líder da bancada parlamentar, Clóvis Silva, enfatizou que a transição democrática foi uma decisão soberana dos dirigentes da época e não resultado de imposições externas. Atribuiu a alternância pacífica à postura do então regime e rejeitou leituras que responsabilizam exclusivamente o PAICV pelo período pós-independência, defendendo uma visão “indivisível” da história nacional. O deputado criticou duramente as prioridades do actual Governo, apontando investimentos considerados supérfluos face às dificuldades vividas em várias ilhas, e alertou para práticas que, no seu entender, fragilizam a democracia, como a politização da justiça e o clientelismo. Para o PAICV, a democracia não se mede apenas pelo voto, mas pela capacidade de combater a pobreza, a corrupção e as desigualdades.

Já o líder parlamentar do MpD, Celso Ribeiro, descreveu o 13 de Janeiro de 1991 como “uma das páginas mais luminosas” da história do país, sublinhando que a data simboliza a escolha definitiva pela liberdade, pelo pluralismo e pelo Estado de Direito. Destacou os ganhos democráticos e socioeconómicos alcançados ao longo das últimas décadas, apontando indicadores de crescimento económico, redução do desemprego e da pobreza e reforço da credibilidade internacional do país. Alertou, no entanto, para os riscos actuais que ameaçam a democracia, defendendo instituições fortes, justiça independente e rejeitando campanhas de descrédito contra o sistema judicial. O dirigente do MpD evocou ainda 2026 como um ano decisivo, com eleições e a inauguração do Monumento à Liberdade e à Democracia.

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