Num “cenário de indignação e desespero” no Aeroporto Internacional Aristides Pereira, ilha da Boa Vista, alguns passageiros, nacionais, imigrantes e turistas, deram o seu testemunho sobre a situação, alguns afirmaram que estão a ser “tratados como animais”.
Citado pela Agência Cabo-verdiana de Notícias (INFORPRESS), Ingoni Sou, passageiro diabético que viajava para uma consulta médica em Dacar (Senegal), relatou que estava sem comer desde o meio-dia.
Passageiros descontentes e indignados
“Se eu morrer, o que vai acontecer? Eles abandonaram a gente, como se fossemos animais, eu não sou um animal, mesmo um animal, se for educado, não se abandona assim”, desabafou, questionando quem assumirá a responsabilidade caso aconteça algo mais grave com a sua saúde.
O sentimento é partilhado por Inácio Pereira, pintor profissional, que vê o seu sustento em risco por não poder deslocar-se à capital, onde alega que também alguns trabalhadores ficaram retidos, pelo que lamenta o prejuízo económico.
“Estamos aqui sem almoço, sem nada. Todos temos compromissos e taxas para pagar. Quem nos dá satisfação”, questionou Inácio Pereira.
Sem alimentação e alojamento
O problema também atingiu o sector turístico e Carolina Troni, turista retida no aeroporto desde domingo, 25, contou que os passageiros foram mantidos em autocarros até às duas da manhã, altura em que foram informados de que não haveria hotel nem água para higiene.
E que depois de terem dormido no autocarro hoje afirmou que ainda chamaram a polícia para tirá-los do aeroporto.
“É ilegal. A polícia queria que saíssemos para a rua. Não há hotéis (…) onde vamos dormir? Na rua?”, denunciou a turista.
António Pires, outro passageiro afetado, descreveu um ciclo de “falsas esperanças” em que os atrasos eram comunicados de hora a hora apenas para manter as pessoas retidas no terminal.
“Nos deixaram à deriva. Estamos aqui há mais de 12 horas e a única solução que apresentam é chamar a polícia para nos tirar daqui”, afirmou.
