Durante a apresentação do resumo da plataforma eleitoral o candidato do PAICV nas eleições legislativas de 2026 afirmou que Cabo Verde viveu, entre 2016 e 2026, “um tempo desperdiçado”, acusando o actual Governo de falta de visão estratégica e de não conseguir responder aos principais problemas do país.
“Ao longo destes 10 anos, o que nós assistimos foi uma governação sem visão, sem estratégia, e com o agravante de agora o Governo vir a estribar-se em desculpas. A desculpar-se com a Covid, com secas, com guerras, tudo aquilo que nós sempre já sabíamos que fazem parte desta realidade”, afirmou.
Segundo o líder do PAICV, os números apresentados pelo Governo sobre crescimento económico e emprego não correspondem à realidade vivida pelas famílias cabo-verdianas.
“Nós assistimos à apresentação de um crescimento de 7%, mas se nós formos analisar a realidade, o dia-a-dia, o quotidiano da vida do cabo-verdiano, sentimos que não corresponde à verdade. Os tais 45 mil postos de trabalho, afinal, o que nós assistimos foi à destruição de emprego e trabalho ao longo deste tempo”, declarou.
Francisco Carvalho apontou ainda problemas no acesso à saúde, falhas nos transportes interilhas, cortes de energia e dificuldades no mundo rural, afirmando que o número de postos de trabalho no campo caiu de 45 mil para 15 mil desde 2016.
“É isto que explica o desânimo, é isto que explica a sangria, é isto que explica a debandada dos homens do campo”, disse.
A proposta do PAICV assenta na visão de “Cabo Verde para todos”, apresentada como uma agenda estruturada em torno do crescimento económico, redução das desigualdades, inclusão social e modernização do país. Entre os principais eixos está a reforma do Estado, com redução do número de cargos governativos, menos agências públicas, descentralização e reforço dos recursos dos municípios.
